26 de set de 2015

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Fazenda do Paraízo: uma joia preservada no Vale do Café!


Você sabia que o Vale do café, região do estado do Rio formada por 15 municípios*,  e que no século XIX foi responsável por mais de 75% do café consumido no mundo, oferece visitação a trinta dessas  fazendas outrora cafeeiras?

Estivemos hospedados no Eco Resort Chalés San Thomaz, em Belmiro Braga, Minas Gerais, sendo o hotel a base perfeita para conhecer algumas fazendas da região, como a Fazenda União e a Fazenda do Paraízo, além  da Florart e  Amor à Arte, associações que mobilizam inúmeros artesãos, com produtos de muito bom gosto. 

Nós optamos por conhecer a Paraízo (com z mesmo), que fica em Rio das Flores, no Rio de Janeiro, mas a apenas dois quilômetros do hotel. 

A Fazenda do Paraízo foi construída entre 1845 e 1853 por Visconde de Rio Preto, mas foi vendida em 1912 para a família Belford Arantes, que até hoje são os proprietários. A fazenda não produz mais café desde 1956, ocupando-se hoje da produção de gado de leite e corte.  


Logo na entrada, a Paraízo já impressiona, com sua belíssima alameda de palmeiras centenárias. O casarão de dois andares, em estilo neoclássico em formato de U, possui 2200m², sendo uma das poucas fazendas do Vale do Café que se apresentam como foram construídas, sem muitas mudanças. 



A visita começa pelo engenho de beneficiamento do café, com maquinário original, trazido de Nova York em 1866. Nas paredes, que não foram pintadas, leêm-se escritos dos trabalhadores, e na frente do engenho vemos os quatro terreiros de secagem do café. 

Depois das explicações do funcionamento da máquinaria ultramoderna para a época e de um delicioso lanche, com quitutes preparados pela proprietária, finda-se a primeira parte do passeio.   






Depois seguimos para o casarão, onde conhecemos três das quatro alas  da fazenda: a ala comercial, a de serviço e a social, menos a ala íntima, em que o casal de proprietários Simone e Paulo Roberto residem. Sim, os proprietários residem na fazenda, e segundo eles, adaptaram-se a ela, e cozinham no mesmo fogão a lenha escocês da época da construção da casa. 


Outro destaque da fazenda é a capela de dois andares no interior da casa, que recebe um santo de cada lado do altar: São Domingos e Nossa Senhora das Dores, em homenagem ao visconde e sua mulher. Na parte de cima da capela, os moradores assistiam as missas, e na parte de baixo, os funcionários.

Uma pena que durante a visitação não podemos tirar fotos do interior do casarão, apenas em dois momentos isso foi possível: de um jardim externo e mostrando o aqueduto da fazenda. Mas também se mostrarmos tudo, perde um pouco da graça da visita, não acham?



A propriedade é excepcionalmente bem preservada, uma verdadeira joia, que segundo a proprietária Simone, que simpaticamente nos recebeu,  nunca sofreu uma reforma que lhe tirasse as características originais. 

Uma verdadeira viagem no tempo dos barões do café, retratando toda a riqueza que o café trouxe aos seus produtores. Um passeio imperdível pela história do Brasil. Muitas pessoas vão à Europa, passam horas na fila de alguns museus, mas não se interessam por sua própria história. Conheça suas raízes, o Rio é bem mais perto que o velho continente, pagamos em real e não tem filas, o horário de visita às fazendas é previamente agendado. 

A fazenda ainda tem papéis de parede franceses originais, mobília luxuosa, e pinturas, também originais, tudo de cair o queixo. Excelentes trabalhos em marcenaria podem ser vistos nos pisos e móveis, além de belos ladrilhos hidráulicos e estatuetas de bronze no hall de entrada.

Uma das pinturas mais lindas da casa está na sala de jantar, no segundo andar da fazenda: um painel 360º da Baía de Guanabara, em que se vê o Pão de Acúcar sem o Bondinho, pintado pelo espanhol José Maria Villaronga. Uma curiosidade da pintura é um barco que vai virando na sua direção à medida que você circula pela sala de jantar. A pintura é original e um dos pontos altos da visita à fazenda.

A única coisa que falta à fazenda é a senzala, que foi demolida após a abolição da escravatura, e que nos daria a dimensão, não só da riqueza trazida pelo café, mas também do sofrimento provocado nos escravos.  

Não perca por nada uma visita à Fazenda do Paraízo, foi um dos passeios mais bacanas que já fiz em viagens pela estado do Rio, e depois de conhecer uma, já estou com uma  lista de fazendas da região para visitar...Quanto mais viajo, mais tenho lugares para conhecer!   


Veja nossos posts sobre o Eco Resort Chalés San Thomaz:


*Vassouras, Valença, Rio das Flores, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Paty do Alferes, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes, Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Paraíba do Sul,Volta Redonda e Resende.  

Endereço: RJ 145 - Manuel Duarte - Rio das Flores - Rio de Janeiro.
Para agendar sua visita, ligue: (24) 2458-0093 e (24) 9859-5727. Valores: R$60,00 reais por pessoa, crianças pagam a metade do valor.
Email: contato@fazendadoparaizo

Textos que serviram de base para o post: Portal Vale do CaféFazenda do ParaízoWikipédia e histórias contadas pela proprietária durante a visitação.

Patricia Tayão.
Fotos: Patricia Tayão e Eduardo Freitas.

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